Quem bate para educar, ensina a bater

no dia 19 de maio de 2011

Eu sou contra violência. E quem virá aqui dizer que é a favor? Ninguém, eu acho.

Ontem, dia 18 de maio, foi o DIA NACIONAL DE COMBATE À VIOLÊNCIA INFANTIL. Quando falamos de violência logo pensamos em casos chocantes como os das crianças lançadas por janelas de prédios, as espancadas que chegam com múltiplas fraturas em hospitais, as agredidas sexualmente e tantas outras atrocidades que tomamos conhecimento através dos noticiários.

Mas o que dizer das famosas palmadinhas, chineladonas, beliscões e outras formas de castigos físicos?

Já pensaram se fosse a mesma coisa conosco? Se nós, adultos donos de nossas vidas fôssemos castigados com palmadas a cada vez que passássemos num sinal vermelho ou que pagássemos altos juros em bancos por dívidas mal administradas? Se nosso chefe, ao perceber um erro de digitação num ofício nos mostrasse a chinela e nos ameaçasse?

Eu sempre penso dessa forma e procuro não ser uma pessoa violenta nas minhas atitudes com os meus. E antes que digam que ah, ela não tem filhos, blá blá blá, eu digo que é um posicionamento antigo meu e acho que se pode impor autoridade e dar orientação/educação sem necessariamente fazer o outro sentir dor e medo.

Quanto eu faço visitas (como voluntária), eu percebo que logo que contrariados, os pequenos chutam, dão tapas e repetem a violência sofrida em casa.

É isso que queremos dos nossos descendentes?

Abaixo um artigo sobre o assunto que encontrei hoje. Leiam até o fim, é interessante e leve.


Quem bate para educar, ensina a bater


Ao dizer não aos castigos físicos e humilhantes impostos às crianças, o Brasil dará um grande passo no processo civilizatório de nossa sociedade, juntando-se a países como Suécia, Finlândia, Dinamarca, Noruega, Áustria e Alemanha que já aboliram essa prática cruel e covarde.

Tramita no Congresso Nacional Projeto de Lei que prevê o respeito aos direitos da criança e do adolescente de não serem punidos fisicamente - mesmo que de forma moderada e sob o pretexto “pedagógico” - não se tratando “todavia, da criminalização da violência moderada, mas da explicitação de que essa conduta não condiz com o direito”, bem como, é a base para a construção de uma cultura da paz e da não-violência.

Sabendo-se que a lei, por si só, teria pouca força para mudar nossa cultura machista (do poder pela força física e autoritária) e “adultocêntrica” (os filhos são vistos como propriedade dos pais) traz grande esperança a campanha “Não bata. Eduque” que, através de grandes veículos de comunicação, impregnará a consciência coletiva dos males que esse modo de “educar” acarreta na formação moral do indivíduo e de suas conseqüências nas relações da sociedade.
Entre tantas razões para abolir o uso da “violência pedagógica”, me bastaria o ditado “quem bate para ensinar ensina a bater”, no qual fica lógico que no tapa, no beliscão, no empurrão, os pais estão dizendo aos seus filhos que conflitos se resolvem com violência.
Num viés mais “científico”, Piaget aponta, quanto à evolução moral da criança, que até 10/12 anos o indivíduo respeita as regras pelo controle externo imposto, porém, a partir dessa idade, irá comportar-se de acordo com suas regras e com os valores construídos até então. Portanto, o “tapa pedagógico” não cumprirá mais seu objetivo de contenção e o jovem irá responder com o que aprendeu: violência.
Infligir dor ou humilhação para educar uma criança não é exercer a autoridade inerente e obrigatória dos pais e, sim, a falência desta.
A criança que apanha e é humilhada em casa tem forte tendência a repetir esse comportamento na escola, sendo autores de bullying (atitudes agressivas, freqüentes e sem razão aparente contra colegas), tema ao qual nos dedicamos a pesquisar e a promover seu combate através do Projeto Diga Não ao Bullying.
“Não bata. Eduque” e “Diga Não ao Bullying”, eis aí ações concretas que, além de diminuir o sofrimento de crianças e jovens, contribuem de forma efetiva e de longo prazo para a diminuição da violência, grande anseio da sociedade moderna.

Artigo retirado do site do Juizado de Infância e Juventude de Goiânia, escrito por Mário Felizardo, Oficial de Proteção da Infância e da Juventude do Poder Judiciário Coordenador da ONG Diga Não ao Bullying
 
Atualização: Esse artigo foi escrito em 2007, então muita coisa pode ter mudado na legislação, não pesquisei sobre isso.



10 comentários:

  1. Acho uma tremenda ignorância!
    Mas como dizem, não cuspirei para o alto. Porém não tenho planos de dar palmadase em meus filhos afim de educar. Quero ter o respeito deles e não o medo!
    Beijos

    @_Bruh_Correa
    http://bruh-correa.blogspot.com/
    http://mysweetweddingg.blogspot.com/

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  2. Li Piaget e Paulo Freire na faculdade. Há uma distância 'moooooooooostro' entre o discurso e a prática, infelizmente. Nunca fui adepta de palmadas, beliscões e afins e sim do castigo. Procurava tirar o que eles mais queriam, o vídeogame, um brinquedo, uma festinha. Mas acho preocupante quando o Governo toma para si algo que ele não tem competência para gerir. Acho que estamos na contramão da coisa, os pais perderam a autoridade. E me desculpe, prefiro eu punir um filho por algo de errado que ele tenha feito do que ser chamada na Escola, na delegacia ou pior, num necrotério. Não me lembro de ter levado se quer uma palmada da minha mãe, apesar de saber que as levei...porque mamãe é brava que só. O assunto é sério e acho importante debater sempre. Não é justo um adulto se provalecer de uma criança, mas também não podemos deixar a coisa solta. Beijocas!

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  3. Clau, querida, que tema bom você abordou hoje. Sabe, eu sou catequista e trabalho com crianças entre 7 e 8 anos. É muito perceptível, na hora do encontro, alguns comportamentos estranhos e inadequados, como a criança puxar o cabelo da outra, derrubar algum pertence do outro, dar beliscão, pisar no pé, falar palavrões e ofender. De início ficava em choque quando isto acontecia, mas com o decorrer do tempo fui conhecendo melhor as crianças. E o interessante foi que eu descobri que elas agiam conforme os pais, porque têm a ideia de que "pais são exemplos para os filhos". Retratavam nos locais de estudo, diversão e inclusive num ambiente sagrado, o que acontecia em casa... todo o tipo de violência.
    Eu rezo para que possamos abraçar esta causa, pois se pensarmos da seguinte forma: "Ah, que as outras pessoas se preocupem com isso, eu não tô nem aí!" Realmente as coisas não vão funcionar... Sejamos solidários, até mesmo com palavras, porque as palavras mudam o sentido de uma vida. Então que possamos palavrear o que nosso coração têm de bom a servir!

    Um beijo.

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  4. Oi Clau, esse é um tema polêmico, do qual eu normalmente me abstenho, porque minha opinião é próxima aí da Taia, e as pessoas que se dizem "do contra" vêm com 7 pedras na mão nessas horas. Acho que realmente há uma distância absurda entre a "teoria e a prática". E hoje em dia temos adolescentes que matam os pais, os avós... e etc... porque foram "criados" sem o devido corretivo na hora certa!!! E querendo ou não, "respeito e medo" estão bem próximos. Eu acho que o problema de hoje é que a mulher se sente na "obrigação" de fazer as vontades dos filhos, justamente pela "falta" dela no lar!!! Pra compensar, a psicologia vem há anos capturando seus "futuros pacientes": justamente aqueles que não apanharam... mas cresceram tão "cheios de problema" que necessitam de acompanhamento hoje em dia!!! Claro que não sou a favor de violência, nunca, em especial às crianças. Mas prefiro um "psicotapa" antes do que um acompanhamento psicológico depois! O mais importante na vida de uma criança, é o AMOR que ela recebe! E amor requer tempo, paciência, carinho, cuidado, zêlo, e em alguns momentos, dureza, também! Assim se ensina o respeito. Penso eu... =)
    Grande beijo!

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  5. Oi Clau, concordo plenamente com você.
    Bater não educa ninguém, pelo contrário, quem apanha acaba se revoltando, e sabe-se lá o tipo de adulto que vai se tornar.
    Sou a favor do diálogo.
    E você, como está a mudança? Espero que esteja correndo tudo bem.
    Beijinhos e boa noite.

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  6. Gostei do tema. Acho uma covardia certas agressões com crianças. Vemos quase todos os dias pela TV.
    Um castigo "dói" mais que pancadas.
    Uma ótima 6a feira. Bjs

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  7. Clau, boa noite
    Sempre vão dizer isso a nós que não temos filhos, sempre vão dizer que na prática a teoria é outra. e eu sempre vou discordar. Já falei disso no blog, e fiquei chocada com as opiniões. Se procurar lá é um post chamado A vara da correção ou o açoite da agressão?
    Eu tenho 3 sobrinhos, e minha irmã bate. Demais, para meu gosto. Já discuti com ela, tento não me meter, mas mostrar meu ponto de vista. Apanhamos muito quando crianças, e isso não me fez bem algum, ao contrário.Acho que bater é ruim e ponto. Mostra descontrole, não ensina nada.
    Sempre digo mais ou menos o que você disse: imagine alguém com 3 metros de altura e pesando 250 quilos querendo "te corrigir"? É assim que uma criança vê um adulto que vai lhe bater.
    Se surrar evitasse criar bandido não haveria bandido no mundo, seria simples. Acho que é o equilibrio que salva. E bater numa criança que não pode se defender, nem física nem psicológicamente, é ruim.
    e está lançada a polêmica rsrsrs
    Beijos, parabéns pela abordagem. Assino onde?

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  8. Obrigada pela sua visita! Que bom! Sou 110% A FAVOR! Bjs!

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  9. Clau adorei sua abordagem sobre o assunto. Eu vejo a surra para educar dentro de uma outra ótica. A perda do respeito. Fui uma criança terrivel, apanhei muito (costumo dizer que até por dentro do olho) e conforme apanhava mais aprontava, pois sabia que a surra seria a mesma se aprontasse pouco ou muito. Já na adolescencia, ninguém me segurava ou conseguia meu respeito, pois eu respeitava apenas quem nunca tivesse me batido. Resultado eu aprendi a não bater, eduquei minha filha sem uma palmada sequer. Ou seja não fui ensinada a bater. E creio que isso não deve ter a interferencia do governo com mais uma lei. Precisa sim fazer valer as leis já existentes.
    Você viu que aquele pai que foi filmado espancando os filhos de 8 anos, foi preso e solto apos pagar mil reais de fiança. Onde fica a lei nesta hora.
    Precisamos sim educar nossos adultos.
    Tenha uma ótima semana
    Abraços

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  10. CLAUS!


    eu sou contra todo tipo de violencia mas, nao acho demais que os pais exemple seus filhos - dentro da normalidade - antes que o mundo o ensine.

    Eu criei meus filhos assim...

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