Chegou Sophia!

no dia 13 de maio de 2015




Daí que em um dia normal de trabalho eu voltava do almoço, quando fui abordada por uma mãe desesperada com o marido preso e o filho pequeno com fome. Enquanto eu e uma colega tentávamos ajudá-la, algumas pessoas me procuravam no meu local de trabalho. Estas pessoas eram do Juizado da Infância e Juventude. Nesse dia nasceu Sophia para nós. 

No mesmo dia, claro, agendamos visita ao abrigo. Sophia conquistou primeiro ao pai com altas risadinhas banguelas e gritinhos. A mãe se rendeu no segundo encontro. 

Foi correria total, pois por mais que estivéssemos esperando esta notícia há quatro anos, não montamos quarto para ela, queríamos que tudo fosse feito após o contato do Fórum. Bercinho, carrinho, roupinhas, tudo isto preparado em menos de uma semana. Euforia tomou conta de nós e aquela mini pessoa de quase 4 meses passou a ser o centro dos nossos assuntos e da nossa vida. Entre o primeiro contato e a sentença que nos permitiu trazê-la para casa, se passaram quase 20 dias. Foi um tempo sofrido, mas de amadurecimento e criação de vínculos. Cada vez era mais difícil deixá-la naquele bercinho e vir embora. 

Sophia nasceu saudável, de parto normal, bem perto da data dos festejos Natalinos e nós, longe dali, nem sonhávamos que em algum lugar já existia nossa filha. Não temos o direito de julgar ou apontar quem não quis ou não pode ficar com ela, isto não importa, importa é que a Deus entendeu que era nossa filha e usou o Judiciário para entregá-la no endereço certo. Mesmo não tendo nosso DNA , temos o vínculo do amor, que é maior do que a biologia. 

Por questões processuais, não podemos divulgar fotos, então, amigos, por favor, entendam. 

Após estes 20 dias visitando a pequena quase que diariamente no abrigo, numa quinta feira 30 de abril, 17:30 horas, me avisaram que eu poderia trazê-la para casa. O pai tinha tido uma emergência e estava viajando, afinal não sabíamos o dia certo que sairia este documento. Então, mal consegui terminar meu expediente de trabalho e me dirigi ao abrigo sozinha. Não teve comemoração, não teve gente esperando para ver a foto no colo da enfermeira, não teve família na sala de espera. O que tinha era uma mãe sozinha, morta de medo, mas que não podia esperar até o dia seguinte para trazer o pacotinho para casa. Uma tensão tão grande que não deixou nem a emoção aflorar. 

Como tudo que é para dar certo, simplesmente dá, uma monitora do abrigo estava de saída e tinha que passar pelo caminho da minha casa. Eu, que já vinha carregando no carro a malinha e o bebê conforto há dias, só tive que trocar a filha e contar com este favor da monitora em acompanhá-la no banco de trás do carro e vir aqui em casa comigo para me dar as últimas instruções de remedinhos, enquanto eu quase surtava com medo de fazer tudo errado. rsrsrs O pai só chegaria sábado à tarde, mas antes disso recebi suporte de algumas pessoas, amiga que gentilmente trouxe almoço e um perfuminho de bebê para Sophia causar com as visitas, além de dar colo pra criança enquanto a mãe almoçava, família do pai que compareceu para conhecer a princesa e dar suporte e especialmente da tia, que é pediatra e veio examinar a nova sobrinha em casa, não é um luxo? 

Acabou sendo tudo como sonhamos, quartinho rosa e marrom arrumado às pressas mas não com menos carinho do que quando se tem nove meses para fazê-lo, lembrancinha de visitas, farmacinha cuidadosamente montada pelo pai e overdose de roupas rosa, porque sou dessas, me deixa rsrsrs

O que não foi como sonhamos foi a própria Sophia, que supera a cada dia as nossas expectativas nestas quase duas semanas. É uma criança feliz, saudável, carismática e faz todo o cansaço valer a pena quando dá seus sorrisos e seus gritinhos estridentes. 

Uma mini gente que se desenvolve a cada dia e enche a casa de bagunça e de muito amor. Eu me sinto como se ela sempre tivesse pertencido a esta casa. 

Já tem padrinhos, já recebeu muitas visitas de amigos e conheceu quase todos os familiares, tendo sido sempre rodeada de muito carinho. Não vou citar nomes, mas olhem, tive boas surpresas inesperadas em termo de demonstração de afeto. Requeri licença maternidade e espero ficar seis meses em dedicação exclusiva aos cuidados e desenvolvimento dela, sem contar, é claro, que estes primeiros momentos são muito importantes na criação do vínculo dela conosco. 

Concluo dizendo que, como já dizia Chico Xavier, tudo que é nosso dá um jeito de chegar até nós. Sophia chegou e hoje ela nos pertence e nós a ela. 



Um amor especial

no dia 6 de setembro de 2014

Imagem ilustrativa daqui

Em outubro de 2013, visitando com meu marido e as Fadas Madrinhas um abrigo, ouvi dele um comentário: "Olha, esse bebê é amiguinho do Augusto!". Ele se referia ao menininho deitado no berço, ao lado de duas outras crianças. Augusto é o nosso sobrinho amado e tem Síndrome de Down. 

Assim eu conheci o Gustavo: corpinho frágil, abaixo do peso para seu um ano e meio de vida. Não se sentava, só ficava deitadinho e tinha cor pálida. Mas tinha brilhantes olhos azuis e sorriso encantador e mesmo doentinho distribuía simpatia e receptividade para os visitantes. Eu nem sonhava, mas estava começando a ser testemunha de uma linda história de amor. 

Paralelo a isto, recebi uma mensagem vinda de uma ex colega de trabalho, me apresentando Carolina, amiga dela que estava entrando na fila de adoção e queria conversar, dividir experiências, como muitas que estão nesta situação. Entre conversas espaçadas, afinidade e alguma desesperança, eu disse: "Peça uma autorização no Fórum e vá ao abrigo. Quem sabe não sente afinidade com alguma criança que está fora do perfil que você pretende adotar, mas que te encante e esteja disponível para adoção ou com processo em andamento?"

Carolina fez seus contatos e passados uns dias me avisou: "Fomos ao abrigo e nos encantamos pelo Gustavo."  Eu fiquei ao mesmo tempo feliz e surpresa, pois ela nunca tinha me dito que tinhas planos de adotar uma criança com Síndrome de Down. Claro, dei a maior força, pois sabia que um bebê nas condições dele não tinha muitos candidatos a pais e depois, não se pode desprezar uma afinidade à primeira vista.

Passado algum tempo visitei de novo o abrigo e encontrei Gustavo bem debilitado. Fiquei preocupada. Liguei no Fórum para a Assistente Social para pedir informações. Fiquei sabendo que ele precisava de uma cirurgia no coraçãozinho e que por conta deste problema tinha estado internado, por isto estava debilitado. Incrivelmente seu sorriso continuava o mesmo. Apesar da idade, pegá-lo no colo dava a sensação de estar pegando um bebê de poucos meses, pois não tinha muitos movimentos e estava abaixo do peso. Mas o azul dos olhos dele trazia esperança... 

Encorajei Carolina a buscar informações sobre o processo dele, se ele iria para adoção e se ela poderia levá-lo para passar um fim de semana com ela. Por infelicidade, quando ela foi ao abrigo cheia de inseguranças, foi recebida por uma profissional despreparada, que mesmo sem ter informações processuais disse, em outras palavras, as duas coisas que ela não queria ouvir: a - Gustavo tem mãe. b - Gustavo não tem chances de viver. Carolina e o marido desabaram.

Não sei precisar datas, mas o casal viajou para tentar espairecer. Recebi então um recado vindo do Fórum: Gustavo está em estado gravíssimo na UTI. Acho que nunca chorei tanto por uma criança que conheci no abrigo, chorei por ele estar com risco de morte, chorei principalmente por ele não ter um calorzinho de mãe, e por talvez morrer sem nunca ter sabido o que era amor de mãe. Esse pensamento era recorrente na minha cabeça. Eu ligava todo dia, duas, três vezes, para saber como ele estava. Resolvi avisar Carolina, mesmo achando que poderia estar sendo inconveniente. Ela ficou agradecida e isto ajudou para que ela e o marido rezassem pela saúde do Gustavo. 

Dias se passaram e Gustavo na UTI, sem perspectiva, entubado, sem amor de mãe perto, mas contando diariamente com o amor de muitas tias adotivas que torciam e rezavam muito por ele e mesmo sem saber ele já tinha amor do do casal também. Surpreendendo a todos, ele passou de estado gravíssimo para uma leve melhora e na sequência melhorou mais, deixou a UTI e foi para o quarto. Um dia à tarde recebi um telefonema de uma monitora do abrigo. Fiquei gelada, achando que era notícia ruim, pois elas nunca me ligavam, só eu ligava. Mas fiquei super feliz: Gustavo tinha deixado o hospital e estava indo para casa, no caso, o abrigo. Nessa hora tive duas certezas: Que orações com fé tem poder e que Gustavo não tinha sobrevivido em vão, ele tinha que ter uma história boa pela frente.

Carolina e o marido resolveram lutar pelo Gustavo, e ajudados por profissionais diferentes daquela que os atendeu no primeiro dia, conseguiram que ele fosse passar um fim de semana com eles. Apesar do tumulto inicial, pois o futuro filho passou mal, teve que ser internado e apesar de tudo parecer muito difícil, até os familiares mais resistentes à ideia de uma adoção especial na vida de Carolina e o marido ficaram tristes quando Gustavo voltou para o abrigo na segunda feira. Pronto, era um caminho sem volta! Já existia um pai, uma mãe e um filho. E claro: avós, tios, primos e tudo mais que Gustavo tinha perdido pelo caminho ele tinha encontrado naquele fim de semana. 

O casal conseguiu ficar com guarda provisória de Gustavo, e a "lua de mel" com o filho foi acompanhar a cirurgia no coraçãozinho que ele tanto precisava desde o nascimento. Mas o remédio principal, aquele que cura mesmo, Gustavo já tinha: o amor do pai e da mãe, que tinham tudo para esperar uma criança que não precisasse de hospitais, mas o escolheram, incondicionalmente. 

Pronto, nossa história que estava só no começo já era feliz e bem sucedida. 

Nunca mais vi o Gustavo, e acreditem, nunca conheci a mãe dele pessoalmente, só por telefone e mensagens, mas nem foi preciso, pois já me sinto mais próxima dela do que de algumas pessoas que convivo diariamente. É como se eu a conhecesse há anos. Mas vamos nos encontrar ainda e derramar litros de lágrimas de emoção, com certeza. Um dia conheci o papai todo coruja por acaso, na rua. Recebo notícias do Gustavo quase semanalmente, através da mãe. Esses dias ela o flagrou de pé no berço e de acordo com fontes seguras, ele está cada vez mais arteiro. 

As fotos que ela me manda pouco lembram aquele menino miúdo que conheci no abrigo, ele está forte, crescido, ganhou cor saudável, mas o sorriso lindo continua o mesmo, a diferença é que, em dois anos de vida, depois de tantas aventuras e internações agora ele está em casa, junto aos seus. E naquela casa já teve Dia das Mães e Dia dos Pais em 2014.

Obrigada, Carolina, por me deixar compartilhar sua história de adoção especial, que acompanhei tão detalhadamente e torci tanto para dar certo. Vocês são um casal privilegiado por terem sido escolhidos por Deus para receber o Gustavo.

Leitores, troquei os nomes para preservar a identidade da família, pois o processo corre em segredo de justiça, bem como também não posso divulgar fotos deles. A foto acima é só ilustrativa.

Este post faz parte da blogagem coletiva "Espalhe Amor no Seu Blog", tema proposto pela Elaine Gaspareto em seu blog, bem aqui. Quando recebi o convite da Elaine, não pensei em história mais linda. Espero que vocês gostem. 




Divitae















Adoção: Porque a conta não fecha?

no dia 22 de julho de 2014

Imagem daqui

Não é só entre as mães biológicas que existem divergências de opiniões quanto ao tipo de parto. No mundo das mães adotivas isso também é realidade. E claro, como em todo caso, quando não se sente a dor do outro, fica fácil julgar, apontar e excluir. 

O que quero abordar é o famoso "perfil restrito". Estou falando disso só hoje, mas há tempos percebo, leio e discuto com minhas amigas sobre. Perfil restrito são aquelas características que os pretendentes à adoção escolhem e que são consideradas dificultadoras dos mesmos serem chamados para adotar. Exemplo: Uma criança recém nascida, olhos azuis, sem irmãos. 
Usei a expressão entre aspas, pois trata-se de uma interpretação bem particular feita por cada profissional da área, cada um que entra na fila ou mesmo quem vem aqui me ler. 

Quando se pretende adotar uma criança, a motivação deve ser uma só: ter um filho. Caridade, meus amigos, se faz nos abrigos, na igreja, na rua, na chuva, na fazenda. Na fila de adoção não! Logo, se adotar não é caridade, não consigo compreender o julgamento imposto a quem acaso escolhe adotar um bebê e não uma criança já crescida. 

A primeira coisa que se deve ter em mente é: Adoção não é programa de governo para resolver o problema social de crianças abandonadas no Brasil. Dito isto, fica mais fácil entender todo o contexto. 

Não pensem que não é constrangedor chegar no Fórum e preencher uma ficha com o perfil da criança que queremos como filho, pois é sim. Nos sentimos de fato em um supermercado escolhendo algo. Por isso é necessário que o/os adotantes pensem muito sobre o que desejam e cheguem a um consenso sobre o que os fará felizes. Não adianta escolher um perfil bem diferente daquilo que ordena seu coração, na ansiedade do filho chegar logo (obrigada, Daniele, por me ajudar a entender isso). Claro, conheço inúmeros casos de sucesso de famílias que adotaram crianças com perfil bem diferente do que queriam no início do processo de adoção, mas isso foi um processo natural, um amor que surgiu com a convivência. Nunca, jamais mesmo, violente seu desejo por conta do que os outros vão pensar ou de medo de ficar anos na fila esperando.

Outra questão já bem sabida por muitos é que muitas crianças que chegam bebês nos abrigos acabam lá guardadinhas esperando trâmites processuais quase infinitos até que fiquem maiores e, por consequência, completamente fora do perfil que a maioria dos casais deseja. Eu sei do que estou falando, jamais faria uma afirmação destas de forma leviana. Um dos casos que mais me chocou até hoje foi o de três crianças que ficaram ONZE anos abrigadas aguardando um simples processo de destituição de poder familiar. Perderam a infância e parte da adolescência sem nunca terem tido a chance de conhecer candidatos a pais, pois, obviamente, não estavam disponíveis para adoção no cadastro nacional (CNA). A vida de voluntariado faz a gente se deparar com essas situações bizarras, verdadeiras aberrações. 

Diante disso, inocentemente ou de propósito mesmo, as pessoas acabam imputando a nós, os adotantes, que já sofremos tanto, o fato de nossos filhos demorarem, afinal, né, "ficamos querendo filhos recém nascidos enquanto tem tanta criança maior sobrando em abrigo". Eu tenho várias conhecidas que tem perfil bem amplo, que aceitam crianças maiores e mesmo assim ficam muito tempo na fila, pois os processos de destituição do poder familiar são demorados, eles andam de forma inversamente proporcional ao desejo/ansiedade dos candidatos a pais. Não é porque há abrigos cheios de crianças que estas estão disponíveis para adoção, mas este é um tópico que vou abordar em outra ocasião, pois tornaria o texto de hoje bem extenso.

Concluindo, não sou contra adoção tardia, isso nunca! E nem estou aqui para convencer ninguém a optar por um bebê e não uma criança maior ou adolescente. Mas sou contra julgamentos. E sou contra situações precipitadas que podem causar o que na minha opinião é a segunda maior tragédia na vida de uma criança abrigada: A devolução da mesma ao abrigo. A primeira, claro, é o primeiro abandono, o da família biológica.

O mundo da adoção de crianças já é tão sofrido, burocrático e cheio de injustiças que acho que as mães adotivas e profissionais na área tem mais é que se unir em torno de processos mais ágeis e esperas menos angustiantes e não começar a culpar uns aos outros por determinadas escolhas.  

Quer iniciar um processo de adoção ou tem curiosidade sobre? Eu escrevi esse post aqui:

- Pensa em adotar uma criança?



Boa terça feira!





Dia Nacional da Adoção

no dia 25 de maio de 2012



Na hora de dormir, uma voz meio chorosa e desiludida vem lá do quarto, de dentro do bercinho cercado de outros bercinhos, chamando mamãe, papai ou qualquer outro lamento. 

Lá da sala mesmo vem a resposta em tom ríspido: "Cala a boca e dorme que aqui não tem mãe não!"

Na hora do banho não são as mesmas mãos que cuidam, cada hora é uma pessoa diferente e o corpinho totalmente dependente de cuidados se vê limpo sem que esse momento tenha sido de vínculo ou de prazer com alguém que realmente o ame e não esteja ali somente fazendo seu trabalho. 

Quando eles vem correndo dizer: "Dodói!", que quer dizer na língua infantil que se machucaram, não tem ninguém para dizer que vai passar com um beijinho e oferecer um consolo pra dor do dodói e da alma desses minúsculos. 

Mas o que eles fizeram de errado para se verem "presos" em abrigos frios, com funcionários muitas vezes despreparados, locais tão cinzentos para vidas que precisam de tanta cor? 

Resposta: A maioria nasceu dos pais errados que não cumpriram seus papeis de orientar, sustentar e proteger os pequenos seres. Então entra o Estado, mas o Estado não liga muito, afinal gente tão pequena nem tem título de eleitor. E os funcionários do abrigo também não ligam muito porque ver tanto mini-sofrimento acaba anestesiando. 

Nunca vi maus tratos em abrigos, mas também vi pouco carinho e pouco vínculo. 

Também ninguém é pago para dar carinho, e carinho não se paga. 

E carinho nem custa nada  ...

Adoção não existe para resolver os problemas sociais e de carência de ninguém. Se você não tem esse desejo do fundo da alma de adotar para si o filho de outra barriga, eu respeito, mas reflita sobre as minhas palavras hoje, tome a iniciativa de visitar um abrigo pra doar o que não te custa nada: carinho. Adote uma criança nem que seja por meia hora. Ouça suas historinhas, mostre que se preocupa, que ela tem valor e que pode ser amada.

Procure saber antes das regras de cada local (que tem que ser respeitadas), faça um bolo no lanche da tarde e ofereça um pouco do seu aconchego a esses olhinhos que embora tenham visto tanto sofrimento, ainda tem brilho e muito para doar. 

Faça seu papel como cidadão, fiscalize. Veja se o local está atendendo as necessidades das crianças, mobilize sua sociedade para fazer o mesmo. Se algo não estiver em conformidade, procure a Promotoria da Infância e Juventude, não tente resolver nada a seu modo, há o jeito certo para se fazer tudo, até se indignar. A lei deve ser respeitada, sempre. 

Essa postagem faz parte da blogagem coletiva do Dia Nacional da Adoção, proposto pela Dani Pivatelli Charles. Poste sobre o tema também e vá ao blog Versos etc avisar que participou e ler outras postagens.  



Vamos postar? (atualizado)

no dia 22 de maio de 2012

Imagem daqui


Bom dia!

Sexta feira, dia 25 de maio, é o Dia Nacional da Adoção. Que tal usarmos nossos blogs para compartilhar nossos pensamentos sobre o tema? 

Eu não tenho como administrar uma blogagem coletiva nesse momento, mas gostaria muito que as amigas e amigos aceitassem o convite. 

Quem deu essa ideia foi a gravidíssima Dani Pivatelli


Atualização: quem postar, por favor, avise à Dani Pivatelli através do blog dela, pois ela vai linkar todas no post de sexta feira. Eu estou só convidando, não estou organizando a blogagem ok? A Dani é uma fofa, mesmo estando prestes a ter em seus braços o Mateus tão amado, ela não se esqueceu das mães e filhos do coração. 

Aceitam meu convite? 

Um bom dia para todos!











Blogagem esmaltes - Dia das Mães

no dia 13 de maio de 2012

Vejo que cada vez mais o mundo percebe que maternidade não está só ligada ao fato da mulher ver sua barriga crescendo e no fim aparecer um "serzinho" que ela vai amar e cuidar para sempre. 

É possível que se ame sem ter tido necessariamente uma gravidez, isso a gente vê todos os dias não só com as mães adotivas, mas com as tias e avós que tomam para si a responsabilidade de cuidar dos filhos das irmãs/filhas/cunhadas que não podem ou não querem assumir essa responsabilidade. 

Tem mulher que é feliz sem filhos. Outras desejam apenas um que saia do seu ventre e passam a vida toda infelizes por não terem exercido a maternidade, por não terem podido engravidar. Cada um sabe a felicidade que lhe serve, né?

Pessoalmente, não acho que ter filhos seja um fato que dependa de gravidez. É possível nascer amor de onde menos se espera. 

Eu publiquei há uns meses a história linda de uma amiga que encontrou sua filha que tinha nascido de outra mãe. Vale muito a pena ler, está aqui

Bom, já que não tem filhos nessa casa, e estou longe da minha mãe, passei o sábado e parte do domingo arrumando presentinhos para quem não pode sequer homenagear suas mães nesse domingo: as crianças do abrigo. Achei que elas ficariam felizes por alguém se lembrar delas nessa data também. 

A minha amiga Lin Sousa, do blog Lin Sousa Fazendo Arte, já me mandou diversos presentes para eu doar nas festas das Fadas Madrinhas, e essa semana chegaram essas caixinhas lindas que ela faz com caixas de leite. Já pensaram que isso tudo iria para o lixo? Eu acho um carinho sem fim de uma pessoa mandar presentes de tão longe (ela está no Rio, eu em Goiás) para fazer rostinhos felizes. 

Daí comprei balas e brinquedinhos, imprimi essas tags lindas diretamente do blog da minha amiga Tays Rocha (editei antes com os nomes de cada um, para personalizar, mas camuflei a foto para postar para não identificar as crianças abrigadas). 


Ah, o assunto é esmalte também, né? 




Usei o Patins da Impala com Reflexos Rosados por cima, da Colorama. Estou numa fase clarinha. (vergonha pra sempre de mim porque só pela foto que que não limpei direito os cantinhos....rs)


Tem postagens lindas sobre maternidade que você pode acessar através do blog da Fernanda Reali, bem aqui

Estou participando do mosaico no maravilhoso blog da Rejane, o Casa, Corpo e Cia. 

Vale muito a pena conhecer, é um espaço com uma energia ótima e ideias maravilhosas para deixar sua casa fofa sem gastar muito. 

Clica no selinho para acessar: 


Texto sobre adoção: Mãe é Mãe

no dia 24 de janeiro de 2012

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Bom dia!!!

Quando penso que já conheço todas as coisas legais dessa blogosfera, vem o destino e me apresenta dois blogs falando de um assunto que adoooooro falar, discutir, debater, aprender, compartilhar: adoção.

Recebi a visita da Renata Palombo em uma postagem minha sobre adoção. Fui lá conhecer o blog dela e tive uma bela surpresa! Um blog bem escrito, com artigos muito coerentes sobre adoção, postados por uma mãe que adotou duas crianças. 

Outras blogueiras postam no blog da Renata, que se chama Descobrindo a Maternagem

E de post em post dentro do blog da Renata, cheguei até esse texto di-vi-no escrito por uma blogueira mãe de três crianças filhas do coração e grávida de mais uma que ela tem certeza que chegará em breve, que é a Cláudia Gimenes. O blog da Cláudia é o Adoção Amor Verdadeiro

Quem se interessa pelo tema adoção ou tem alguém conhecido (ou família) que quer adotar ou adotou, não pode deixar de visitar esses blogs e conhecer as duas. É muito bom ver a situação contada por quem está dentro dela.

O texto abaixo foi escrito pela Cláudia Gimenes. Agradeço às duas por terem me autorizado a compartilhar essas sábias palavras com vocês.

É um texto extenso, mas vale cada segundo de leitura.


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"Fui convidada pela Glauciana para escrever artigos para a coluna “Mãe é tudo Igual” e fiquei pensando sobre que tema falar. Como a coluna tem um nome bem significativo, vou reforçar que mãe é tudo igual e que “mãe é mãe”!


Sabe, eu não gerei meus filhos. A vida não me deu esta oportunidade, até porque eu não fui atrás de fazer com que ela me desse! Não quis fazer tratamentos nem exames doloridos. Achava que para ser mãe eu não precisaria sofrer mais do que pela espera por eles.

Eu sabia que tinha filhos para mim em algum lugar e que eram 4, mas eu não sentia que precisasse sentir dor, me submeter a doses massissas de hormônios, piorar ainda mais o que já é ruim em mim em questão hormonal, piorar ainda mais meu problema de obesidade, gastar um dinheiro que eu não tinha para ter um filho. Eu sabia que eles viriam e a adoção era o caminho!!!

E agora vou falar algumas coisas à respeito da maternidade escolhida através da adoção!

Quando decidimos adotar um filho e comunicamos isso a parentes e amigos, todo mundo faz festa, boa parte nos cumprimenta dizendo: “ah, admiro vocês… que gesto nobre”.

E aí, por mais que você explique que não é um gesto nobre, que é a espera por um filho, ninguém compreende. As pessoas passam a te olhar com um olhar que vai da admiração à pena e você vê nos olhares reticentes o pensamento de “coitada, não pode ter filhos”.

E passamos a sentir nossa gravidez de uma forma solitária, sem os paparicos de uma grávida biológica, porque ou somos criticadas ou somos exaltadas, colocadas à altura de santas por estarmos, apenas, desejando ser mães!!!

Isso aconteceu comigo! Não tive paparicos, não tive chá de bebê organizado pelas cunhadas – que organizavam chás para todas as crianças prestes a chegar na família -, mas tudo bem. o filho que eu esperava era meu, não dos outros!

Quando o filho chega, todo mundo vem, olha com cara de pena para o seu filho e diz: “coitadinho, né?!? Como a mãe teve coragem de largar um bebê tão lindo?!?”. Mas, espera aí. Quem é a MÃE? Você está diante de uma mãe que acaba de ganhar um filho e diz uma frase destas? Meu coração se partia a cada comentário “sem maldade”, advindo da total falta de senso, caridade e amor, referidos à minha filha. Eu era A MÃE! Ela teve uma progenitora e uma mãe em duas pessoas diferentes. A mãe sou eu!

E aí seu filho vai crescendo e você vai ouvindo: “mas você não tem medo que ela vá procurar a mãe verdadeira?”. E mais uma vez eu digo: “Quem é a MÃE VERDADEIRA? Aquela que gerou e não pôde ou não quis ficar ou você que está convivendo no dia a dia com a criança?”

Então posso afirmar que “mãe verdadeira” não existe, porque se aceitarmos o conceito de “mãe verdaderia” teremos que admitir que existe uma “mãe falsa”. Tá, eu sempre fui considerada a mãe falsa pela sociedade, mas pela linguagem popular, sou a mãe verdadeira!!! rss

Muita gente fala: “mãe é quem cria”, mas estas mesmas bocas te perguntam se você não tem medo que seu filho procure a progenitora, referindo-se a ela como “a mãe verdadeira”. Hipocrisia! Sendo assim, vamos fazer deste desabafo um momento de esclarecimento. O que existe são: mães biológicas e mães adotivas. Nenhuma delas é falsa.

E quando você decide ter o segundo filho, ouve: “você vai adotar outra vez? Porque não tenta ter um filho seu?!”. Para tudo!!! Porque eu não tento ter um filho meu?! A outra filha que eu tenho é de quem, afinal de contas?! Eu sou a mãe, ela é minha filha! Qual a dúvida?

E aí as bocas “sem maldade” completam seus questionamentos com um “ah, claro que ela é sua filha, afinal de contas você é quem cria, mas você já fez uma caridade, agora precisa tentar ter um filho seu mesmo, de verdade, do seu sangue”.

E quando você escuta coisas assim, cai sua ficha! Você é mãe, tem um filho, está esperando outro filho e não é considerada mãe, nem seus filhos considerados filhos! Somos pais e filhos de segunda linha em uma sociedade cheia de preconceitos enrustidos.

Quem disse que quando eu adotei pensei em fazer caridade?! Adotei para ser MÃE, oras. Caridade a gente faz doando dinheiro para asilos, abrigos, abrigos de cães, fazendo trabalho voluntário em hospitais e comunidades carentes. Quem adota, adota para ter um filho, tal e qual quem engravida. Quem adota não pensa em fazer caridade, em salvar uma vida do mundo do crime, em tirar um coitadinho da rua, da miséria ou seja lá de onde for. Quem adota o faz para ser MÃE.

E de mais a mais, quem disse que sangue diz alguma coisa na relação mãe x filhos, pai x filhos? Quem crê que sim, basta relembrar o caso da mocinha Suzane R., filha biológica, advinda de uma gravidez planejada, bem criada e tal…

Apesar de pessoas assim, você segue sua vida e quando decide ter seu terceiro filho, pouca gente é comunicada, menos gente ainda participa. Você já cansou do verniz que as pessoas usam no preconceito e na discriminação e, como sua gestação é sem barriga e sem paparicos, você decide que será sem encheção de saco também.

O terceiro filho pouca gente visita, quase não ganha presentes. Você, definitivamente, é louca perante a sociedade, principalmente se seu filho chegar doente, afinal de contas se você pode escolher, porque aceitou uma criança doente?

O quarto filho só pessoas muuuito próximas e não necessariamente parentes, ficam sabendo. Você só conta para pessoas que compartilham o desejo de adotar, mesmo, e nem faz ideia como será quando este filho chegar. Provavelmente será festejado só em casa, mesmo, entre papai, mamãe, irmãos e alguns pouquíssimos amigos de longe, que nunca te viram pessoalmente.

Se eu tenho mágoas disso tudo?! Não, não tenho!!! Aprendi a conviver e descobri que o preconceito existe, sim, que está mais presente em nossa sociedade do que as pessoas imaginam e que se você não for forte, você é engolido por ele, sucumbe à depressão.

Por isso não me dou o direito de ter preconceito contra nada, também não me dou o direito de julgar as decisões alheias. Escolhas são direito inalienáveis do ser. Você pode até não concordar com algumas escolhas das pessoas que ama, mas tem obrigação de respeitar.

Por isso, aproveito sempre que posso para falar sobre o assunto, porque acredito que somente com informações é que se acaba com o preconceito! Pior do que isso tudo que eu passei é ver meus filhos, agora entrando na adolescência, serem bombardeados com perguntas movidas pela falta de conhecimento do que seja uma relação de filiação verdadeira.

Hoje já não perguntam mais para mim se não tenho medo que eles queiram procurar a mãe verdadeira. Hoje os amigos deles perguntam se eles não têm curiosidade de conhecer suas mães verdadeiras. E o preconceito vai sendo passado de geração a geração.

Eles são bem orientados em casa e são multiplicadores dos conceitos corretos, explicam com paciência para os amigos sobre a inexistência de uma “mãe verdadeira” e colocam os conceitos em seus lugares, mas na minha modesta opinião, se não existisse de verdade preconceito, não haveriam mais crianças e adolescentes fazendo esse tipo de pergunta.

E só para constar: não, eu não tenho medo!!! Se um dia eles quiserem procurar suas mães biológicas eu os ajudarei. Amor é algo que se conquista com a convivência do dia a dia e eu não tenho porque temer um encontro deles com uma desconhecida – que lhes deu à vida -, mas uma desconhecida.

Isso tudo para dizer que mãe é tudo igual, que mãe é mãe, não importa de que forma ela se torna mãe. Se você teve a paciência de ler tudo isso, vou me atrever a deixar algumas dicas se, por acaso, você for pego de surpresa com a notícia de que alguém próximo vai adotar:

- Não olhe com compaixão, nem pena. Adotar não é uma sentença, é uma escolha!

- Não exalte o ato de adotar como algo sublime, não coloque a pessoa em questão nos pés de uma santa, porque isso magoa e ofende.

- Trate seu parente ou amigo que vai adotar tal e qual trataria se ele estivesse esperando um filho biológico. Nós, mães adotivas, também gostamos de ganhar mimos para nossos filhos.

- Quando visitar a família na chegada da criança, jamais olhe com pena nem diga “coitadinha, né?!”. Nenhuma mãe gosta de ouvir que seu filho é coitadinho! Se, por um lado, ele foi abandonado, por outro foi muito esperado e amado antes mesmo de nascer, então não existe nenhum coitadinho".

...

Então, gostaram? Beijos e boa terça feira. 

Adoção: Amor à primeira vista

no dia 13 de setembro de 2011

*Ana, uma das envolvidas nessa história linda, é uma grande amiga mas nos falamos pouco. Eu sabia que ela e o esposo tinham adotado e há uns meses atrás a encontrei e pedi que ela me enviasse a história dela com a sua primogênita para eu postar no blog. Passou um tempo e eis que recebo por e-mail esse relato de fazer a gente esgotar o estoque de lencinho descartável. Estão preparados? Então viagem comigo nessa história de amor envolvente e emocionante, a prova de que quando sentimos o coração bater forte temos que fazer de tudo para alcançar a felicidade. 

Imagem Google

"Conheci *Laura em uma festa de confraternização na escola onde trabalho. Por coincidência era comemorado meu aniversário também, em 2003.

A coordenadora da instituição onde Laura estava temporariamente abrigada foi convidada para participar da nossa confraternização, por ter sido já professora na escola. Ela levou consigo cinco crianças, e junto estava aquela que seria minha filha e eu nem imaginava.

Neste dia meu esposo se apaixonou à primeira vista por aquela criança cheia de vida, muito extrovertida e esperta. Perguntei à coordenadora discretamente as histórias de vida de cada uma daquelas crianças, e embora a história dela não fosse a mais triste, foi a que mais nos chamou a atenção.

Passaram os meses sem que se falasse mais nisso. Chegou fevereiro, início do ano letivo, e quem aparece na escola para se matricular? Laura. E ainda no mesmo turno que eu trabalhava. Outra coincidência ou nossos anjos nos mostrando o caminho? 

Chegando em casa contei ao meu esposo ele ficou super feliz com a noticia.

A Laura, embora estivesse na instituição(abrigo) há quase um ano, não estava em situação de adoção, estava abrigada provisoriamente, aguardando saber se o juiz determinaria a reinserção dela na família ou a desconstituição do poder familiar. Quando há desconstituição, ai sim a criança entra no cadastro de adoção, mas não era o caso dela.  

Como a pequena era muito cativante, vivia sendo levada por famílias para passar o fim de semana em suas casas, e meu esposo sabendo disso me sugeriu que fizéssemos o mesmo. Minha primeira reação foi  ficar receosa, afinal eu tinha um pensamento meio egoísta e não queria “pegar filhos dos outros pra criar”.  Tínhamos três ou quatros anos de  casados, e mesmo tendo dificuldades para engravidar, adoção para mim não era opção e achava que ainda era tempo de namorar e curtir o casamento. 

Acabei sendo convencida por ele, e no meio da semana liguei no abrigo e pedi para passar um final de semana com a Laura, mas ela já tinha programação para os dois fins de semana seguintes. E depois foram acontecendo outros contratempos por conta dos compromissos com outras famílias e só conseguimos estar com ela mais de um mês depois da primeira tentativa.

Foi depois do Carnaval e me lembro de cada detalhe como se fosse hoje...

Nossa, foi uma alegria só! Meu esposo achou o máximo e meus pais amaram. Todos da família se apaixonaram por ela! Na época estava no auge aquela musiquinha " Trote da Eliane" ela imitava direitinho era o muito divertido.

Fomos à sorveteria, passeamos muito. Ela me chamava de tia, porque já chamava assim na escola onde eu trabalhava e ela estudava. Só ficou meio arisca com meu esposo, e ele, ao contrário, se apaixonou de vez e queria que ficássemos com ela todos os finais de semana. Depois de conversar com a coordenadora do abrigo acabou dando certo. Engraçado que na minha casa não tinha criança e nas outras casas que ela ia tinha, mas ela preferia ficar conosco.

Os dias e meses foram se passando e foi aumentando o laço afetivo. Já havia muito choro dela e nosso em todas as despedidas. Eu a pegava na sexta e na segunda ela já ia embora com o pessoal do abrigo, direto da aula. Era muito choro e todos na escola que presenciavam ficavam comovidos.


Teve um dia que foi mais marcante que os outros, essa cena nunca mais vai sair da minha memória: Chegou a hora de ir embora o motorista do abrigo foi buscá-la na sala de aula. Quando ela viu o motorista pediu a professora dela (que já sabia a trajetória toda da Laura e acompanhou tudo) que não a deixasse ir. Ela falava chorando aos gritos: “Tia não deixa eu ir embora eu não quero ir.... Quero ir pra casa da minha tia Ana, (lágrimas) não deixa... Não deixa!!!”  Ela se agarrou na cortina da escola e a professora  explicava a ela que ela tinha que ir porque era segunda-feira mas que sexta-feira ela voltaria então o motorista a levou. Ela chorava e me pedia que eu não deixasse que a levassem.  Não teve quem não chorasse...

Naquele dia mesmo resolvi que tinha que lutar por ela. Eu vi seus olhos dizendo: “mamãe, não deixa eles me levarem”. Nunca, nunca mais vou esquecer disso.

Cheguei em casa chorando e contei tudo que havia acontecido ao meu esposo choramos juntos, e decidimos conversar com o juiz da infância e juventude. Marcamos o dia que ele atendia no Conselho Tutelar e pedimos a ele que ele nos desse uma autorização para que ela pudesse ficar feriado finais de semana e ferias apenas conosco. Ele explicou toda a vida pessoal e processual da Laura e deixou bem claro que ela não estava para adoção estava apenas no lar provisoriamente até que fosse decidido o destino dela. Ou seja, que não estava nos prometendo nada além das férias juntos. Ele nos atendeu e explicou que poderia haver laços entre ambos e isto não seria bom no caso de uma separação. O próprio juiz adorava a Laura. Ela era a criança que mais chamava atenção naquele momento no abrigo.

E assim foram os nossas dias, meses, sempre passando feriados e fins de semana conosco e voltando para o abrigo na segunda feira. Resolvemos entrar com processo de habilitação para adoção, porque se caso ela fosse para adoção, nós já estaríamos aptos a adotá-la. Nós lidávamos apenas com suposições, nada indicava que ela ia sequer para adoção e mesmo que fosse, não significava que seria adotada por nós, já que a fila de casais habilitados é grande. Mesmo assim, com tanta incerteza, estávamos decididos a lutar, pois já nos sentíamos os pais dela e ela a nossa filha. 

No requerimento de adoção, na parte que conta as características da criança pretendida marcamos exatamente o perfil da Laura, para que desse certo. Tínhamos certeza que seria ela e não queríamos outra opção, só ela!

E o amor se estabeleceu de vez, ficando cada dia mais forte. Um dia conversamos com a ela e perguntamos se queria morar em nossa casa e ela rapidamente respondeu que sim.

Eu disse a ela: “então daqui por diante você poderá me chamar de mamãe e ao tio de papai, certo? Ela de forma simples respondeu que a mim ela chamava de mamãe “sem vergonha”, mas do tio ela tinha vergonha de chamar de papai. Achei engraçado. Nesse mesmo dia ela disse: “Mamãe, eu te amo!”  Nesse momento eu tive mais certeza: Essa menina é minha filha, só nasceu na família errada!” 

Eu já conhecia seus desejos e já conhecia a fisionomia dela quando tinha feito alguma travessura. Parecia que já nos conhecíamos havia anos e que ela havia saído de mim. Quem tem um filho adotivo sabe muito bem do que estou falando.

Eu sou espírita, mas não vamos entrar nesse mérito porque não é o caso agora, senão o texto fica muito longo.

Passou um ano de convivência, e voltamos ao juiz, que resolveu nos dar a guarda provisória. Afirmo a vocês que não foi fácil. É um processo muito demorado. Audiências eram marcadas, a mãe biológica não aparecia, tinham que publicar intimação em diário da justiça, uma novela sem fim! No meio do processo todo a família resolveu aparecer para impedir que a adotássemos, mas ainda bem que nunca foram na nossa porta, só no Fórum. 

Depois de varias audiências, encontros, lágrimas e despedidas, chegou o grande dia: Dezesseis de outubro de 2006. Era a audiência definitiva. Foi dada a sentença declarando que Laura agora era filha de Ana e *João. 

Foi o começo de uma nova e feliz vida em família para a pequena Laura e para nós.

Depois disso engravidei... e engravidei de novo. Tenho três filhas lindas e posso garantir que são todas iguais, embora uma delas seja filha do coração e não da barriga.

Amo demais minhas filhas! Elas são tudo de bom na minha vida!


Quando a gente não tem filhos a gente dá a vida pelos nossos pais mas quando a gente tem filhos a vida da gente já não nos pertence.

Quem deseja adotar e tem ainda medo, não adote até que esteja preparado, porque você tem que adotar sem medo de ser feliz. Na época escutamos conselhos de todo jeito até da própria família, falando contrários à adoção, mas ela é minha filha e pronto. Ninguém a tira de mim, Deus me deu outra oportunidade de estar ao lado dela eu sou muito grata a Ele. 

Se puder dar um conselho, digo que adotem sim, eduquem com amor, assim vocês terão a consciência tranquila.


Deus abençoe todas as mães de coração. Se hoje temos esses filhos não é por acaso, eles já eram nossos, em outras circunstâncias, mas nossos. " 

Ass: Ana

Querem deixar um recado para a Ana, João e Laura? Comentem nesse post. Eles irão ler. 


*Nomes trocados para preservar a criança. 


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