Notícias do mundo rosa de Sophia

no dia 13 de setembro de 2015


Enfim consegui aparecer por aqui para falar sobre a nova fase da minha vida e claro, como devem ter notado, para apresentar o visual novo do blog. Ficou lindinho, né? Leve e delicado. Trabalho da competente Elaine Gaspareto. Profissional e tanto, recomendo! 

Daqui a cinco dias completo 42 anos e quatro meses e meio se passaram desde que recebi a missão mais importante da minha vida: ser mãe da Sophia. Não posso dizer que é mais fácil ou mais difícil ter um bebê nesta idade do que mais nova, digo que é único, como toda experiência pessoal é. 
Estou curtindo cada minuto dos meus 180 dias de licença maternidade e agradeço muito por ter oportunidade de ter um trabalho que me permita isso. Cada momento junto com ela está sendo importante para o nosso aprendizado. A vida mudou radicalmente e considero que para melhor. Se eu era feliz antes? Sim, era. Mas agora é uma satisfação diferente. 


Eu e ela, aos 8 meses, de olho no meu brinco.

No dia em que ela chegou, no momento em que me sentei no sofá para dar a primeira mamadeira, depois que baixou a adrenalina inicial, me toquei que eu tinha entrado num tipo de portal que deixava para trás tudo que eu tinha vivido/sido até ali para entrar num mundo totalmente novo. Tá, na teoria eu já sabia disso, mas vivenciar é outra história. 
No dia 30 de abril, sexta feira, eu trabalhei o dia todo num ritmo frenético, sem me preocupar com hora de saída, como vinha sendo todos os dias nos últimos meses e depois de apenas um telefonema, horas depois eu já não era mais só eu, estava aqui sentada segurando um pacotinho que mamava vagarosamente sem se preocupar se eu tinha mil afazeres. 
Quando há a gravidez, você tem duas coisas concretas: sua barriga crescendo e um tempo previsto para o bebê estar em sua companhia. No processo de adoção você tem uma expectativa de um dia seu telefone tocar e desse momento em diante você vai ter que se virar em mil para dar conta de preparar sua casa e sua vida para receber o novo integrante da família. E para quem está na fila de adoção esperando e achando que o telefone nunca vai tocar, acredite, um dia o bendito toca. Aconselho a guardarem dinheiro na poupança rsrsrs 

Por hoje só posso concluir que ser mãe de menina tem me realizado, e ter sido escolhida por Deus pra ser a mãe da Sophia foi um belo presente. A gente se diverte, ri, lê livrinhos de pano, vê desenho juntas, brinca, faz piquenique, tudo muito prazeroso, a vida em slow motion, deixando todo o resto para segundo plano. Tenho abusado do direito de mimar minha filha com muito carinho e com roupas lindas e sapaticos fofos, afinal nós duas esperamos muito por este encontro e merecemos. 



Uma toalha à beira da piscina é diversão garantida
 numa tarde de domingo.

Assim que der, volto para contar mais sobre o que andamos aprontando e mostrar alguns artesanatos que tenho feito (sim, depois que ela dorme eu corro pra minha terapia, o artesanato).

Ah, e eu que nessa época do ano estaria empolgadíssima arrumando detalhes da viagem de férias, no momento só penso na festinha de aniversário dela de 1 aninho. Tudo para fazê-la feliz e estarmos juntos com os amigos queridos que torceram tanto por nós. 

Bom final de domingo a todos!

Chegou Sophia!

no dia 13 de maio de 2015




Daí que em um dia normal de trabalho eu voltava do almoço, quando fui abordada por uma mãe desesperada com o marido preso e o filho pequeno com fome. Enquanto eu e uma colega tentávamos ajudá-la, algumas pessoas me procuravam no meu local de trabalho. Estas pessoas eram do Juizado da Infância e Juventude. Nesse dia nasceu Sophia para nós. 

No mesmo dia, claro, agendamos visita ao abrigo. Sophia conquistou primeiro ao pai com altas risadinhas banguelas e gritinhos. A mãe se rendeu no segundo encontro. 

Foi correria total, pois por mais que estivéssemos esperando esta notícia há quatro anos, não montamos quarto para ela, queríamos que tudo fosse feito após o contato do Fórum. Bercinho, carrinho, roupinhas, tudo isto preparado em menos de uma semana. Euforia tomou conta de nós e aquela mini pessoa de quase 4 meses passou a ser o centro dos nossos assuntos e da nossa vida. Entre o primeiro contato e a sentença que nos permitiu trazê-la para casa, se passaram quase 20 dias. Foi um tempo sofrido, mas de amadurecimento e criação de vínculos. Cada vez era mais difícil deixá-la naquele bercinho e vir embora. 

Sophia nasceu saudável, de parto normal, bem perto da data dos festejos Natalinos e nós, longe dali, nem sonhávamos que em algum lugar já existia nossa filha. Não temos o direito de julgar ou apontar quem não quis ou não pode ficar com ela, isto não importa, importa é que a Deus entendeu que era nossa filha e usou o Judiciário para entregá-la no endereço certo. Mesmo não tendo nosso DNA , temos o vínculo do amor, que é maior do que a biologia. 

Por questões processuais, não podemos divulgar fotos, então, amigos, por favor, entendam. 

Após estes 20 dias visitando a pequena quase que diariamente no abrigo, numa quinta feira 30 de abril, 17:30 horas, me avisaram que eu poderia trazê-la para casa. O pai tinha tido uma emergência e estava viajando, afinal não sabíamos o dia certo que sairia este documento. Então, mal consegui terminar meu expediente de trabalho e me dirigi ao abrigo sozinha. Não teve comemoração, não teve gente esperando para ver a foto no colo da enfermeira, não teve família na sala de espera. O que tinha era uma mãe sozinha, morta de medo, mas que não podia esperar até o dia seguinte para trazer o pacotinho para casa. Uma tensão tão grande que não deixou nem a emoção aflorar. 

Como tudo que é para dar certo, simplesmente dá, uma monitora do abrigo estava de saída e tinha que passar pelo caminho da minha casa. Eu, que já vinha carregando no carro a malinha e o bebê conforto há dias, só tive que trocar a filha e contar com este favor da monitora em acompanhá-la no banco de trás do carro e vir aqui em casa comigo para me dar as últimas instruções de remedinhos, enquanto eu quase surtava com medo de fazer tudo errado. rsrsrs O pai só chegaria sábado à tarde, mas antes disso recebi suporte de algumas pessoas, amiga que gentilmente trouxe almoço e um perfuminho de bebê para Sophia causar com as visitas, além de dar colo pra criança enquanto a mãe almoçava, família do pai que compareceu para conhecer a princesa e dar suporte e especialmente da tia, que é pediatra e veio examinar a nova sobrinha em casa, não é um luxo? 

Acabou sendo tudo como sonhamos, quartinho rosa e marrom arrumado às pressas mas não com menos carinho do que quando se tem nove meses para fazê-lo, lembrancinha de visitas, farmacinha cuidadosamente montada pelo pai e overdose de roupas rosa, porque sou dessas, me deixa rsrsrs

O que não foi como sonhamos foi a própria Sophia, que supera a cada dia as nossas expectativas nestas quase duas semanas. É uma criança feliz, saudável, carismática e faz todo o cansaço valer a pena quando dá seus sorrisos e seus gritinhos estridentes. 

Uma mini gente que se desenvolve a cada dia e enche a casa de bagunça e de muito amor. Eu me sinto como se ela sempre tivesse pertencido a esta casa. 

Já tem padrinhos, já recebeu muitas visitas de amigos e conheceu quase todos os familiares, tendo sido sempre rodeada de muito carinho. Não vou citar nomes, mas olhem, tive boas surpresas inesperadas em termo de demonstração de afeto. Requeri licença maternidade e espero ficar seis meses em dedicação exclusiva aos cuidados e desenvolvimento dela, sem contar, é claro, que estes primeiros momentos são muito importantes na criação do vínculo dela conosco. 

Concluo dizendo que, como já dizia Chico Xavier, tudo que é nosso dá um jeito de chegar até nós. Sophia chegou e hoje ela nos pertence e nós a ela. 



É possível ser feliz sem filhos?

no dia 22 de agosto de 2013

Imagem daqui

Pois bem, estou aqui tentando fazer uma escritora (quase) enferrujada se sobrepor à artesã mais que ativa e deixando o teclado falar mais que a cola. 
E ainda por cima vou falar de uma coisa que nunca soube na pele o que é: maternidade. Aliás, não: vou falar da falta de filhos, do outro lado da história. 
Esses dias vi uma foto no Facebook de uma sala impecável simbolizando a ausência de filhos e outra totalmente caótica, simbolizando a presença deles, e claro, quem editou e quem compartilhou defendia a bagunça com filhos. Ninguém disse: eu prefiro a sala arrumada! Muita gente pensou, mas não falou, inclusive eu. Eu não disse que não quero filhos, só quero mostrar que há vida além da maternidade. E há, viu gente? 
Eu ouço, acreditem, diariamente, entre fofoquices da vida alheia, processos e xícaras (aliás, baldes) de café, comentários do tipo: "fulana casou tem cinco anos, não tem filhos, será que tem problema?" (problema = doente-útero-seco-tadinha-se mata-amiga!).  
Deus, do céu, em pleno 2013 e as pessoas ainda acreditam só no formatinho de família pai, mãe e seis dúzias de filhos concebidos ainda na lua de mel? Sim, há casais "sadios" héteros que optam por não ter filhos, baby! E isso não é aberração, nem crime, nem maldade do ser humano em não querer deixar vir ao mundo as criaturas de Deus! 
Quando não temos filhos sobra dinheiro para viajar, tempo para hobbies, privacidade para ser casal, oportunidade para aventuras gastronômicas, cineminha com frequência e mais zilhões de coisas que existem além da maternidade. Existe vida além da amamentação e dos brinquedos espalhados pela sala, sim! E não é uma vidinha paralela de consolação e sem graça, é uma vida feliz!
Não estou comparando isso à felicidade de ter um filho, são coisas bem diferentes. Aliás, felicidade se mede? Não. Cada um é feliz como quer e como pode. Não se mede os sonhos de alguém pela fita métrica da sua vida, não mesmo. 
Houve um tempo em que as mulheres não tinham opção e tendo ou não a vocação para exercer a maternidade tinham que procriar e procriar. E ai de quem não enchesse o mundo de filhos por um problema de saúde (sim, só por isso não e tinha filhos, nunca por opção), era taxada de coitadinha e discriminada até o último fio de cabelo e quiçá perdia o marido para uma fértil, com toda razão. Ah, a "culpa" nunca era do marido, a coitada é que tinha o útero podre sempre. 
Mas hoje isso mudou, né amigas? Mudou? Huummm, acho que não muito. Pois, por mais que o novo formato de família esteja aí na nossa cara, insistimos em implicar com o diferente de nós. A fulana pode ter todo dinheiro do mundo, mas se teve um filho sem ter casado é mãe solteira. Detesto esse termo, detesto. Para mim é mãe e pronto. E seja lá que traste o pai for, é filho de um homem e não de chocadeira e o estado civil da genitora não importa. Se adota é  a coitadinha que foi obrigada a criar o filho da outra. Que dó, que dó! Ela não tem um filho dela, que dó!
Nem vou entrar muito na questão dos filhos adotivos e muito menos na adoção homoafetiva, porque aí sim o assunto ia se estender. 
Não defendo que ninguém tenha filhos, ou que não os tenha, defendo o direito de cada um fazer o que quiser com sua vida. A felicidade não está no outro ou em coisas materiais, e casamento e filhos não são garantia de vida feliz. Assim como viver sem filhos não é garantia de solidão e infelicidade.
Meu lema é: se a pessoa não fizer nada que conste no Código Penal ou que apareça algemada no Jornal Nacional, tá valendo. De resto, cada um cuidando da sua sala bagunçada e da sua vidinha, né?

Até a próxima, com letrinhas ou cola, vai saber...rs




Sobre não ser mãe

no dia 27 de fevereiro de 2011



Imagem

Bom dia!
Essa crônica faz parte do livro "Coisas da Vida", da Martha Medeiros, escritora que amo ler!

A postagem de hoje é especialmente de dedicada às mulheres que NÃO SÃO MÃES, ou porque não podem, não querem, porque reservam esse projeto para o futuro e ainda, porque estão indecisas.

Mas gostaria muito que as que JÁ SÃO MÃES lessem, para entender melhor o que se passa conosco.



"Semana passada me telefonaram de um jornal para pedir um depoimento sobre mulheres que decidiram não ter filhos. Queriam um testemunho curto e rápido.

Sobre um tema tão intenso? Fui curta e rápida, mas agora vou me estender.Tenho duas filhas planejadas e amadas, que nunca me provocaram um segundo sequer de arrependimento. Mas nunca fui obcecada pela maternidade. Acredito que qualquer mulher pode ser feliz sem ser mãe. Existem diversas outras vias para distribuirmos nosso afeto, diversos outros interesses que preenchem uma vida: amigos, trabalho, paixões, viagens, literatura, música - até solidão, se me permitem a heresia. Conheço mulheres que se sentem íntegras e felizes sem ter tido filhos, e mulheres rabugentas que tiveram não sei por quê, já que só reclamam. Há de tudo nesta vida. Mas tenho pensado nesta questão porque, dia desses, uma amiga inteligente, realizada e linda completou 50 anos e se revelou meio abatida por certos questionamentos que chegaram com a idade - uma idade que está longe de ser das trevas, mas que é emblemática, não se pode negar. Ela nunca quis ter filhos. Escolha não, impossibilidade. Tem uma vida de sonho, mas ela anda se perguntando: não tive filhos, será que fiz bem? Ninguém tem a resposta. Mas é fácil compreender o dilema. Quando entramos nos 30, o relógio biológico exige uma decisão: ter ou não? Algumas resolvem: não. Criança dá trabalho, criança demanda muita atenção, criança é dependente, criança interfere no relacionamento do casal, criança dá despesa, criança é pra sempre. Tudo verdade, a não ser por um detalhe: crianças crescem. Crianças se transformam em adultos companheiros, crianças são quase sempre nossa versão melhorada, crianças herdarão não apenas nossos anéis, mas nossos genes, nosso jeito, nossa história, e isso é explosivo, intenso, diabólico, fenomenal. Aos 30, só pensamos na perda da liberdade, mas, aos 50, conseguimos finalmente entender que a maternidade é muito mais do que abnegação, é uma aposta no futuro. Depois dos anos palpitantes e frenéticos da juventude, chega uma hora em que deixamos de pensar apenas no lado prático da vida para valorizar as conquistas emocionais, que são as que verdadeiramente nos identificam. Não estou fazendo apologia da maternidade, sigo acreditando que todas as escolhas são legítimas. Mas optar por não ter filhos não é algo trivial. É uma experiência profunda de que abriremos mão de vivenciar. É uma emoção que transferiremos para sobrinhos sem jamais saber como seria se eles fossem gerados por nós - ou adotados, o que dá no mesmo. Vale a pena desprezar este investimento de amor? Um investimento que, diga-se, é uma pedreira muitas vezes, não é nenhum mar de rosas! Nessas horas é que faz falta uma bola de cristal. O problema é se a dúvida vier nos atazanar mais adiante. A gente nunca sabe como teria sido se... É por isso que, neste caso, compensa queimar bastante os neurônios antes de decidir. Não dá para pensar no assunto levando-se em conta apenas o momento que se está passando, mas o contexto geral de uma vida. Porque não ser mãe também é para sempre."



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