Você sabe usar a tecla delete? Não, não falo de informática, mas de leveza!
Depois que a gente descobre que viverá sem algumas coisas sem culpa, abrimos espaço para que outras surjam. Nem sempre é fácil, mas compensa experimentar.
Mas o que podemos deletar? Pessoas, situações, sentimentos... acho que quase tudo pode ser deletado. Talvez disso tudo os sentimentos precisem de mais tempo e trabalho, mas se não deletados, podem ser pelo menos melhorados.
Deletando pessoas:
Você já teve, por exemplo, um amigo ou parente que nunca lhe ofereceu a mão em ajuda sincera, ou que sempre teve seu ombro à disposição para uma situação difícil ou seus recursos emocionais em momentos diversos e nunca podia te ouvir, seja porque estava sempre ocupado demais com o próprio mundo ou porque estava feliz demais, ou triste demais, ou... TEC (barulho da tecla). Tá deletado! Deletei esse tipo de gente da minha vida, sem olhar para trás. Já tive "amigos" que eram verdadeiros vampiros emocionais, quase psicopatas, que em nada contribuiam para meu bem estar ou felicidade, mas que por um certo comodismo da minha parte, eu acabava aturando e levando a relação adiante. Eu decidi, simplesmente não avisei, bati a porta e saí, para nunca mais. E olhe, como é boooom se sentir livre dos sugadores das minhas boas intenções... ô se é!
Deletando situações:
Eu trabalho desde os 13 anos. Tive a sorte de isso não ser para ajudar em casa, mas só para mim mesma. Mas ainda assim sempre trabalhei, e com 18 anos, em vez de entrar pra faculdade, entrei num serviço público ganhando um pouco mais que alguns chefes de família que eu conhecia. Eu não acho que ganhasse bem, mas era acima da média. Só depois disso fui pensar em faculdade, quando podia pagar. E paguei. Mas morando sozinha e pagando faculdade particular aos 25 anos, a saída era trabalhar em dobro. E trabalhei. Fiquei um ano sem tirar uma folguinha, trabalhava no emprego concursado de segunda a sexta e sábado e domingo também, em um posto telefônico. E nas horas de folga (oi?) eu fazia artesanato, caixas, mais especificamente, e isso vendia bem, e ajudava a complementar a renda, a pagar o ônibus, o lanche, o supermercado, água, luz, telefone...
Um dia eu acabei a faculdade. Mas ops, no segundo ano da faculdade eu tinha passado em outro concurso, e depois em mais dois. Fiquei trabalhando oito horas por dia e dando aulas à noite. Até que conheci meu marido, e fiquei, além disso tudo, viajando para Goiânia muitos dos finais de semana, enquanto namorávamos. Então surgiu problema de saúde, claroooo! Nisso eu já tinha uns 30 anos e no meu caso o cansaço veio em forma de tonturas. A médica disse: "Larga um emprego!" Eu respondi: "só se for agora". E TEC: deletei!
Pedi exoneração e fiquei trabalhando só durante o dia. Aos finais de semana continuei viajando, porém com menos preocupação de um emprego.
Depois de tanto tentar, resolvi desistir de passar em concurso em Goiânia*. Aliás, em 2010 foi meu melhor ano nesse sentido, porque decidi a NUNCA MAIS ESTUDAR PARA CONCURSO. E ponto! TEC. Deletei. Troquei livros chatos (para mim) por feltro, ponto cruz, colagens em guardanapos, etc... Troquei códigos e leis por visitas em abrigos e surgiu com força total as Fadas Madrinhas (que não vou deletar nunca).
E nisso de deletar certas situações, acabei deletando um sentimento horroroso: culpa!
É claro que não me livrei de tudo que me incomoda, mas o importante foi que aprendi a fazer isso e agora quase sempre posso TEC, deleto. Bom, né?
Eu teria muito mais coisas para contar, mas como sei que post longo é cansativo, paro aqui nesses exemplos.
E você? Conta para mim o que já deletou sem dó nem piedade, vou adorar saber!
Beijos.
*Esta postagem seria para o dia 07 de abril, mas só consegui postar hoje. Espero que gostem!
* Eu sou funcionária do Tribunal de Justiça de Goiás, trabalhando em Itumbiara. Há mais de cinco anos tento em vão uma transferência para Goiânia ou cidade perto. Tem muita gente que consegue diariamente ir e vir de comarca... mas isso são os mistérios entre o céu e a terra.
